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Kamal Chughtai, jurista e pastor paquistanês, fala à ANAJURE sobre a vida dos cristãos em seu país

Para ele os ataques não tem ligação política e sim uma motivação religiosa.

Depois de contabilizar um número aproximado de 70 pessoas mortas no Shopping Center de Nairobi, no Quênia (sábado, dia 21); mais de 80 pessoas foram mortas em um duplo ataque à uma igreja histórica, em Peshawar, no Paquistão (domingo, dia 22); além de uma extensa lista de perdas e danos aos cristãos no Egito, (nos últimos três meses); os cristãos do Oriente Médio se depararam com uma situação ainda mais crítica do que já viviam, com ataques constantes e pouca, ou nenhuma, ajuda exterior para reduzir a extrema discriminação.
Em entrevista exclusiva à ANAJURE, o pastor e jurista cristão Kamal Chughtal, fala sobre como vivem os cristãos paquistaneses diante das discriminações, e como estão agora, após o ataque à maior igreja da região, onde mais de 80 pessoas foram mortas.

Como alguém que conhece bem a situação vivida por cristãos e outras minorias em seu país, Kamal Chughtai trabalha no Paquistão há 25 anos, e, em especial, há 10 anos prega o evangelho de Cristo.

Segundo o pastor Kamal, os ataques não têm nenhuma ligação política, como muitos acreditam. Para ele, o que existe na realidade é uma motivação religiosa. E alerta: "O próprio código penal paquistanês permite que sejamos perseguidos, nos acusando de blasfêmia. Além disso, não são apenas os muçulmanos que atacam os cristãos, há também pessoas com extremismos contrários à liberdade religiosa."

O presidente da ANAJURE, Dr. Uziel Santana, convoca igrejas e aliados para oração, e também informa que está enviando Moção de repúdio aos embaixadores do Quênia e do Paquistão no Brasil. "É o mínino que podemos fazer para que esta onda de perseguição anticristã seja contida. Os recentes ataques em Nairobi e Peshawar demonstram que, realmente, vivemos hoje num crescente 'cristeinfrein', isto é, num momento em que ser cristão é ser como os judeus da época nazista: estigmatizados, discriminados e condenados à morte. O mais interessante no depoimento que o Dr. Kamal nos deu é a alegação, já sabida por nós e ignorada e silenciada pela grande mídia internacional, de que não se trata de uma simples questão de conflitos políticos locais, mas de perseguição religiosa no seu mais alto grau de crueldade.", afirmou o Dr. Uziel.

CONFIRA A ENTREVISTA:

ANAJURE - Como é o trabalho que o senhor desenvolve no Paquistão?
KAMAL CHUGHTAI - Trabalho há mais de 25 anos em favor das minorias não muçulmanas, e pela garantia e consolidação de seus direitos essenciais. Comecei este trabalho auxiliando o Bispo John Joseph. Como pastor, são mais de 10 anos de ministério pregando a Palavra de Deus aqui no Paquistão.

A – Qual é o ponto de vista do senhor sobre os recentes ataques em Nairobi e Peshawar?
KC - Foi um ataque à Igreja! Este atentado que matou mais de 100 pessoas foi motivado por um grupo extremista e terrorista que não possui ligações políticas, mas motivações religiosas. Estamos sendo vítimas da ação violenta do Talibã em nossa região. Mais uma vez afirmo, o que ocorreu não tem cunho político, mas apenas reflete uma acirrada perseguição religiosa.

A – Quem são os membros do Talibã e qual o seu papel na perseguição aos Cristãos no Paquistão?
KC - Eles não são apenas muçulmanos; há alguns membros deste grupo terrorista que não têm ligação com o Islamismo, mas compartilham de uma posição de extremismo religioso e são contrários ao pluralismo e liberdade religiosa plena. No mês de março eles queimaram mais de 100 casas de Cristãos em Lahore, e desde dezembro passado muitos incidentes têm sido provocados por eles no país. Geralmente, usam as leis para perseguir os Cristãos (a exemplo das seções 295-B e 295-C do Código Penal Paquistanês), acusando-os de blasfêmia, para legitimar os atos de violência e as restrições impostas.

A – Um dos ramos do Talibã Paquistanês é a Al-Qaeda. O que podemos esperar como próximo ato deles no país?
KC - O governo está tentando diálogo com eles, contatos de paz, a fim de parar com esta violência. De fato, os líderes do país estão tentando trazer paz ao ambiente, porém o povo ainda não se sente confiante e seguro, pois acredita que o governo está temeroso quanto às próximas ações destes grupos terroristas.

A – Como é a vida de um Cristão no Paquistão?
KC - Existem leis por meio das quais somos perseguidos, temos restrições para ingressar no sistema educacional e discriminação quando tentamos nos inserir no mercado de trabalho. É fato que as pessoas Cristãs que possuem bons recursos financeiros terão a qualificação desejada dentro do país, mas encontrarão muitas dificuldades para exercer sua profissão, pois não haverá lugar para a sua colocação. Geralmente, o que sobra para muitos dos Cristãos é fazer serviços de limpeza em empresas privadas e nas ruas.

A – Há real liberdade religiosa no Paquistão?
KC - Podemos considerar que sim, mas o problema é que não podemos pregar livremente nas ruas nem evangelizar os 'não Cristãos'. No último censo, 5% da população se declarou Cristã, e isto reflete um pouco estas nossas limitações. Fora isso, há o problema de algumas restrições impostas por leis e/ou o mau uso delas.

Fonte: Anajure

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